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domingo, 18 de julho de 2010

Mosquitos geneticamente modificados são a nova esperança no combate à malária

 A malária é uma doença provocada por um parasita, que todos os anos é responsável pela morte de mais de um milhão de indivíduos, sobretudo em África. Acontece que o parasita, um protozoário do género Plasmodium, entra para a corrente sanguínea humana aquando da picada de um mosquito do género Anopheles já infectado por esse protozoário (sendo o mosquito, por isso, o vector de transmissão do parasita).

 Deste modo, como forma de impedir o desenvolvimento do parasita nos mosquitos do género Anopheles (sendo impedida assim a transmissão de malária para os seres humanos), investigadores norte-americanos alteraram o genoma de alguns indivíduos deste género. Seguidamente, os cientistas injectaram o parasita da malária em 90 dos mosquitos, tendo constatado posteriormente que o desenvolvimento do parasita fora completamente bloqueado, ou seja, a alteração genética em causa tinha imunizado os insectos contra o protozoário.

 Esta "imunização" foi conseguida à conta de uma alteração num único gene, estando esse envolvido na produção de insulina. Isto representa uma vantagem relativamente a outras abordagens similares, mas anteriores a esta, que recorriam à modificação de vários genes e não alcançavam uma taxa de sucesso tão grande.

 O próximo passo estará relacionado com a substituição dos mosquitos do género Anopheles "normais" existentes na natureza, por estes, geneticamente modificados e que impedem a 100% o desenvolvimento do parasita da malária no seu interior, o que não será, certamente, uma tarefa fácil.

Fontes: http://articles.latimes.com/2010/jul/17/science/la-sci-malaria-20100717 (18/07/2010)
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1620269&seccao=Sa%FAde (18/07/2010)          

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Tibetanos alcançam recorde da mais rápida alteração genética

 Não consta que os desportistas tibetanos tenham alcançado muitas medalhas, contudo o povo tibetano detém já um recorde bem diferente daqueles que normalmente ouvimos falar - trata-se do recorde da mais rápida alteração genética registada.

 Acontece que os tibetanos vivem em regiões de elevada altitude, habitando grande parte em locais situados a mais de 4400 metros acima do nível médio das águas do mar. Ora, a essa altitude os níveis de oxigénio são cerca de 40% menores que ao nível da água da mar, sendo que indivíduos provenientes de baixas altitudes, quando expostos a essas condições, acabam por sofrer de hipóxia, uma condição patológica associada à privação de oxigénio e que se manifesta através de dores de cabeça e fadiga.


  Através da comparação entre o ADN de 50 tibetanos (que não sofrem de hipóxia) e o de 40 chineses da etnia Han que vivem a cerca de 2000 metros de altitude, investigadores norte-americanos encontraram diferenças nos genes relacionados com o transporte de oxigénio no sangue (nomeadamente com a produção de glóbulos vermelhos e de hemoglobina). Visto que as duas populações estudadas divergiram (isto é separaram-se) há cerca de 2750 anos, esta alteração genética verificada nos tibetanos tratou-se da mais rápida alguma vez registada em seres humanos.

Fonte: http://www.newscientist.com/article/dn19117-tibetans-adapted-to-high-life-at-recordbreaking-rate.html (12/07/2010)

sábado, 26 de junho de 2010

Colocada nova hipótese para a morte de Tutankhamon

 O Faraó Tutankhamon (1341 a.C. - 1323 a.C.) é um dos mais conhecidos do Antigo Egipto, quer devido à descoberta do seu túmulo, quer devido ao facto de ter falecido muito jovem, estando a sua morte ainda envolta em mistério.

 Várias causas foram já apontadas por investigadores e historiadores para justificar a morte deste faraó - desde queda de uma quadriga, até ao envenenamento por parte de familiares. Contudo, a causa actualmente mais aceite para a morte do soberano relacionava-se com malária cerebral, juntamente com doenças congénitas nos ossos, hipótese apoiada pelo facto de terem sido descobertas necroses nos ossos do pé esquerdo de Tutankhamon e detectados genes do parasita que causa a malária.

 Porém, estudos de uma equipa de investigadores alemães do Instituto Bernhard Nocht para Medicina Tropical sugerem que a verdadeira causa para o falecimento do faraó pode ter sido a anemia falciforme. Esta doença é provocada por uma mutação num gene que codifica a proteína hemoglobina (proteína presente nos glóbulos vermelhos e associada ao transporte de oxigénio), levando a que os glóbulos vermelhos do indivíduo adquiram a forma de foice, em vez da forma normal de disco bicôncavo (imagem da esquerda), algo que afecta o transporte de oxigénio para as células e leva a danos nos ossos, como os apresentados por Tutankhamon. 

 A mutação que leva ao aparecimento de anemia falciforme é comum em países onde a malária é endémica, como o Egipto, pois confere imunidade contra a malária. Isto não impede, contudo, que os indivíduos com anemia falcofrme "transportem" o parasita da malária no seu sangue. No caso do faraó, uma infecção desse género poderia ter levado a uma "crise fatal de anemia falciforme", que culminou com a falta de oxigénio nas várias células e com a morte de Tutankhamon.

domingo, 16 de maio de 2010

Estudo realizado no Porto pode levar a um maior controlo de leucemias

 Um estudo realizado no Instituto de Biologia Molecular e Celular do Porto  (IBMC), relativo ao papel dos glóbulos vermelhos no sistema imunitário, pode contribuir para um maior controlo de leucemias.

 Na verdade, apesar das principais funções das hemácias (glóbulos vermelhos) relacionarem-se com o transporte de gases (nomeadamente oxigénio e dióxido de carbono), sabe-se actualmente que as hemácias desempenham outros papéis, tais como regular a contracção vascular e a proliferação de glóbulos brancos. O estudo em questão, publicado na revista "Immunology and Cell Biology", debruçou-se precisamente sobre a importância dos glóbulos vermelhos para a regulação do ciclo celular e para a sobrevivência dos leucócitos (glóbulos brancos), nomeadamente os linfócitos T (glóbulos brancos que actuam na imunidade específica mediada por células).

 O estudo conclui que existem substâncias de natureza proteica libertadas pelos glóbulos vermelhos que têm um "papel activo na homeostasia (regulação biológica) dos linfócitos T, potenciando a sobrevivência e o crescimento destes". Isto abre caminho para um maior controlo de leucemias, doenças caracterizadas, normalmente, por uma proliferação de glóbulos brancos.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Células estaminais podem originar sangue artificial

Um grupo de cientistas britânicos pretende criar sangue artificial a partir de células estaminais de embriões. O estudo, que será coordenado pelo Serviço Nacional de Transfusão de Sangue da Escócia, deverá durar cerca de três anos e, de acordo com os pesquisadores, se tudo correr como o planeado, haverá uma fonte ilimitada de sangue para transfusões consideradas de emergência.




Este sangue artificial teria como vantagem o facto de ser livre de contaminações por doenças de difícil detecção  por parte dos dadores (por exemplo o vulgarmente designado "vírus das vacas loucas" ou, mais cientificamente, encefalopatia espongiforme bovina).

Para a execução de testes, os pesquisadores utilizarão embriões humanos excedentários, resultantes de tratamentos de fertilização in-vitro nos quais procurarão encontrar o mais predesposto a desenvolver o grupo sanguíneo do tipo O Rh- , isto é, o dador universal.




É ainda importante referir que o sangue do tipo O Rh- pode ser doado a qualquer pessoa sem riscos de rejeição sendo, por isso mesmo, a única opção segura no caso de não se conhecer o grupo sanguíneo do paciente. Contudo, apenas 7% da população se encontra dentro dos parâmetros anteriormente referidos.

Para além desta aplicação, há muitas outras vantagens decorrentes do estudo e utilização correcta das células estaminais: mais de 300 doenças estão em fase final de testes, com resultados positivos e surpreendentes no que diz respeito à possibilidade de total reconstituição de órgãos inteiros não havendo necessidade de recorrer aos transplantes. Por todos estes motivos, há cada vez mais casais a procurarem recolher e armazenar este tipo de células dos seus filhos.

Fonte: http://www.netconsumo.com/2009/03/cientistas-criam-sangue-artificial.html (18/01/2010, 19h15)
 
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