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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Tabagismo induz alterações em gene supressor tumoral

 Já se conheciam inúmeros efeitos adversos para a saúde, relacionados com o tabagismo. Todavia, investigadores da universidade britânica de Birmingham provaram pela primeira vez que o tabagismo está directamente relacionado com a supressão da acção de genes que ajudam a combater os tumores.

 Para levar a cabo este estudo foram analisadas células do cancro do colo do útero, visto que as mulheres com cancro do colo do útero têm um maior número de mutações epigenéticas, ou seja, alterações do DNA, por ligação de um grupo metilo, no gene p16, que tem como função a supressão de tumores. 

 Essa análise permitiu concluir que a percentagem de células com o gene alterado era muito superior nas mulheres fumadoras (cerca de 37%) que nas não-fumadoras (cerca de 9,3%). Isto comprova, mais uma vez, que os indivíduos fumadores têm mais tendência a desenvolver cancro que os não-fumadores.

 Contudo, nesta investigação foram também estudadas mulheres que tinham deixado de fumar. Verificou-se que nessas mulheres a percentagem de células com o gene p16 modificado era igualmente baixa, o que sugere que estas alterações genéticas induzidas pelo tabagismo são revertíveis.

domingo, 3 de outubro de 2010

Equipa portuguesa identifica radical livre benéfico para as células


 Os radicais livres são átomos, moléculas ou iões geralmente muito reactivos que são produzidos pelas células humanas, durante o seu metabolismo, exercendo um efeito oxidante nas estruturas biológicas. Segundo a teoria dos radicais livres, proposta nos anos 50 do século passado pelo cientista norte-americano Denham Harman, é a acumulação destes radicais nas células (nomeadamente as espécies reactivas de oxigénio) que leva ao envelhecimento dos organismos.

 Contudo, estudos levados a cabo por uma equipa portuguesa do Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde, associada à Universidade do Minho (no Norte do país), concluíram que é errada a generalização de que todas as espécies reactivas de oxigénio exercem efeitos negativos em termos de envelhecimento celular.

 A investigação realizada em células de leveduras concluiu que enquanto o anião (ião com carga negativa) e radical livre superóxido é efectivamente prejudicial para as células dos organismos vivos, o peróxido de hidrogénio, outra espécie reactiva de oxigénio (cuja estrutura está representada à direita), tem, na verdade, efeitos benéficos para a longevidade celular, pois activa "algumas vias de sinalização intercelular", algo que é indispensável para assegurar a sobrevivência das células.

 Esta descoberta poder-se-à revelar útil para futuras estratégias de combate ao envelhecimento.

Fonte: http://www.tvi24.iol.pt/tecnologia/envelhecimento-tvi24/1195800-4069.html
          http://en.wikipedia.org/wiki/Free-radical_theory (3/10/2010 - 18h)

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Parasita da malária foi importado dos gorilas

 A malária, uma doença que todos os anos atinge entre 350 e 500 milhões de indivíduos, é uma patologia provocada por um parasita, um protozoário do género Plasmodium, sendo transmitida através da picada de um mosquito do género Anopheles. De entre as várias espécies de parasitas do género Plasmodium, Plasmodium falciparum é a responsável pela maioria dos casos de malária (cerca de 91%) e aquela que mais casos letais origina. 

 Acontece que até agora pensava-se que os hominídeos sempre tinham convivido com a malária e com P. falciparum, ou que, segundo outros investigadores, o parasita começou a infectar os hominídeos mais tarde, tendo sido transmitido por chimpanzés.


 Contudo, novos estudos sugerem que foi através dos gorilas que os hominídeos começaram a contactar com esta doença. Na verdade, através do estudo das relações evolutivas entre diversos parasitas da malária presentes na África Central, investigadores britânicos e norte-americanos concluíram que o parasita que afecta os seres humanos está muito próximo evolutivamente do parasita que provoca malária nos gorilas, tendo evoluído a partir deste há cerca de 300 000 anos. 

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Óxido nítrico pode ser fundamental na reparação de lesões cerebrais

 Um estudo realizado por investigadores da Universidade de Coimbra (em Portugal) em colaboração com cientistas da Universidade de Lund, na Suécia, debruçou-se sobre o papel do óxido nítrico, aquando de lesões cerebrais. 


 O óxido nítrico é uma molécula constituída por um átomo de oxigénio e um átomo de azoto (daí a sua fórmula química ser NO). O óxido nítrico encontra-se naturalmente sob a forma de um gás, com importantes funções biológicas, actuando como uma molécula envolvida na transmissão de informação entre células. Para além disso, esta molécula é produzida no cérebro, aquando de uma inflamação. 


 Pensava-se, por isso, que impedisse a proliferação de células-tronco neuronais, essenciais à recuperação das zonas lesionadas. Contudo, o estudo mostrou que, aquando de uma concentração reduzida de óxido nítrico, a proliferação deste tipo de células foi estimulada. Estas conclusões podem se vir a revelar particularmente importantes para futuros tratamentos de lesões cerebrais, como o Alzheimer 

sábado, 4 de setembro de 2010

Cianobactérias podem nos ajudar a proteger das radiações UV

 Durante o Verão é fundamental uma boa protecção contra as radiações solares, nomeadamente as radiações ultravioleta (UV), que, por exemplo, potenciam o aparecimento de tumores. Contudo, moléculas produzidas por cianobactérias podem contribuir, no futuro, para uma melhor protecção.

 As cianobactérias são bactérias que realizam a fotossíntese, apresentando uma tonalidade verde-azulada, sendo por isso designadas erradamente por algas azuis (visto que não são algas, existindo apenas algas verdes, castanhas e vermelhas). Dado as cianobactérias terem surgido há cerca de 3.4 biliões de anos, antes do planeta possuir uma atmosfera rica em ozono (que surgiu com a libertação de oxigénio para a atmosfera, em grandes quantidades, devido à actividade fotossintética), estes seres vivos estavam expostos à radiação ultravioleta, que danifica a molécula de DNA. Como forma de protecção, estas bactérias produzem pequenas moléculas, designadas por MAAs (mycosporine-like amino acids), que absorvem a radiação ultravioleta, funcionando de modo similar a alguns protectores solares.

 Agora, investigadores norte-americanos descobriram quais os genes e as enzimas envolvidos na produção das MAAs, o que se revelará particularmente útil para o fabrico de cosméticos (já foi produzido um cosmético anti- envelhecimento, que utilizava MAAs) e de protectores solares.

Fonte: http://www.newscientist.com/article/dn19392-ancient-bacteria-could-improve-antiageing-cosmetics.html (04/09/2010)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Doação de órgãos - Um acto de solidariedade

 A doação de órgãos, quer em vivo, quer após a morte, é um acto de solidariedade que pode ajudar a salvar várias vidas, dado os órgãos doados serem utilizados em transplantes. 

 Os indivíduos que pretendem doar órgãos, enquanto estão vivos, podem fazê-lo, desde que apresentem as condições de saúde necessárias. Em Portugal existem unidades de transplantação de rim, fígado, coração, córnea, pâncreas, pulmão e medula óssea, localizando-se todas as unidades em hospitais públicos. Já no Brasil, é possível a doação de rim, fígado, coração, córnea, pâncreas, pulmão, medula óssea, pele e válvulas cardíacas. 

 Já os indivíduos que pretendam doar órgãos após a sua morte desconhecem muitas vezes quais os passos que devem dar. Dessa forma, e dado que tornar-se um doador pós-morte é extremamente simples, mas também importante, passo a explicar qual a lei vigente em Portugal e, a pedido do Ministério da Saúde Brasileiro, no Brasil.

Em Portugal:

 Em Portugal, qualquer indivíduo (que tenha a cidadania portuguesa, ou que seja estrangeiro residente em Portugal) é considerado doador à nascença. Isto, porque a lei vigente em Portugal assume que todos os indivíduos se dispõem a doar órgãos, após a sua morte. Sendo assim, ao contrário do que se passa noutros países, não é necessário realizar qualquer pedido, formal ou informal, informando do desejo de doação dos órgãos pós-morte. Contudo, os indivíduos que não concordem com esta lei podem, no Centro de Saúde, entregar um impresso, no qual exprimem o desejo de que não lhes sejam retirados órgãos após a morte. A lei aplicada em Portugal, no que concerne a este tema, é similar à vigente na Espanha, Áustria, Eslováquia, Hungria, Luxemburgo, Polónia e República Checa.

No Brasil:

 No Brasil, a lei não assume que ninguém seja doador à nascença. Dessa forma, qualquer indivíduo que esteja interessado em doar órgãos deve dizê-lo aos seus familiares, expressando claramente o seu desejo. Não é necessário o indivíduo deixar nada por escrito, mas deve-se assegurar que os familiares se comprometem a autorizar, por escrito, a doação de órgãos pós-morte.  

 Lembre-se: São vidas humanas que estão em jogo e tudo depende de uma simples conversa com os seus familiares.

Para mais informações consulte: 


 Brasil: Portal do Ministério da Saúde - Transplantes
             Contacte: comunicacao@saude.gov.br

domingo, 22 de agosto de 2010

Células NK podem facilitar transplante de fígado

 As células NK (Natural Killer cells), também denominadas células assassinas, são um tipo de leucócitos (glóbulos brancos), mais propriamente de linfócitos T, que desempenham uma importante função em termos de destruição de células cancerígenas ou infectadas por vírus. Contudo, um tipo especial de células NK, denominadas células NKTreg, podem no futuro vir a desempenhar um importante papel, no que toca à aceitação de órgãos transplantados.

 A rejeição de órgãos transplantados está relacionada com a actividade do sistema imunitário, nomeadamente de outro tipo de linfócitos T. Porém, investigadores portugueses da Universidade de Lisboa, através de estudos  envolvendo fígados de ratos, descobriram que as células NKTreg possuem um gene que controlava os linfócitos T reguladores,  o que permitiu suprimir a actividade imunitária que ocorria nos fígados dos ratos.

 Como as células NKTreg apenas suprimiram a acção imunitária no fígado (e não no organismo inteiro) e dado estas células também existirem nos seres humanos, há possibilidade de que, no futuro, este tipo de linfócitos possa ser utilizado para evitar rejeições de transplante de fígado.

Fontes: http://www.newscientist.com/article/mg20727744.100-killer-tcells-the-fix-for-organ-rejection.html
           http://www.publico.pt/Ciências/descobertas-celulas-amigas-do-transplante-de-figado_1450886 (22/08/2010)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Identificado gene relacionado com as enxaquecas


 É sabido que factores ambientais, como o stress, a alimentação e as alterações do número de horas de sono, contribuem fortemente para o aparecimento de enxaquecas. Contudo, investigadores do ICBAS (Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, localizado no Porto, em Portugal) descobriram que existe um gene associado a esta doença.

 O gene em questão denomina-se STX1A e é responsável pela produção de sintaxina 1A, uma proteína (cuja estrutura está representada na imagem da direita) que por sua vez tem como função a regulação da libertação de neurotransmissores (substâncias químicas que transmitem um sinal nervoso de um neurónio para outro ou para uma célula-alvo, durante uma sinapse) no Sistema Nervoso Central. 

 A amostra analisada pelos investigadores do ICBAS era composta por 188 indivíduos que padeciam de enxaquecas e 287 que não sofriam desse problema (grupo de controlo). No grupo dos indivíduos doentes foram detectadas duas variações do gene STX1A, o que sugere que estas estão directamente relacionadas com uma maior susceptibilidade do indivíduo ao desenvolvimento desta patologia.

Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=44604&op=all#cont (19/08/2010 - 18h40)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Desvendado o segredo da alergia ao níquel

 O níquel é um metal com o qual "contactamos" frequentemente, dado ser muito utilizado em joalharia, estar presente, na maioria das ligas metálicas de que são feitas as moedas (as moedas de 1 e 2 euros, por exemplo, apresentam níquel na sua constituição), poder ser um elemento presente no aço inoxidável e até próteses médicas. Este elemento (de símbolo químico Ni) é o 28º da tabela periódica, sendo um "metal de transição" e podendo formar diversos iões. A sua descoberta remonta a 1751 e deveu-se ao mineralogista sueco Axel Fredrik Cronstedt. 

 Contudo, a alergia ao níquel é a hipersensibilidade de contacto mais comum nos países ocidentais, tendo uma equipa de investigadores alemães descoberto a causa para esse facto. Acontece que, este metal actua de modo similar ao das bactérias - O contacto com o níquel desencadeia, nos indivíduos alérgicos a este metal, uma reacção inflamatória, através da activação de um receptor celular, denominado TLR4. Ora, este é o mesmo receptor que é activado, aquando do contacto com bactérias, levando à ocorrência de uma resposta do sistema imunitário. A activação do receptor TLR4, por parte do níquel, leva então a uma resposta imunitária exagerada, que se manifesta sob a forma da alergia a este metal.

 Como o níquel e as bactérias se ligam a diferentes regiões do receptor, o bloqueio da local onde se liga o níquel poderá prevenir a alergia ao metal, sem impedir que o receptor origine uma resposta imunitária, aquando do contacto com bactérias.

Fontes: http://www.newscientist.com/article/dn19318-mystery-of-most-common-contact-allergy-solved.html
           http://www.nature.com/ni/journal/vaop/ncurrent/full/ni.1919.html
           http://en.wikipedia.org/wiki/Nickel (16/08/2010)

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Australopithecus afarensis já utilizava ferramentas e comia carne

 A descoberta de ossos animais fossilizados (nomeadamente de um antílope do tamanho de uma cabra e de um animal do tamanho de uma vaca) com cerca de 3,4 milhões de anos, apresentando marcas (muito provavelmente feitas por instrumentos), sugere que os hominídeos já utilizavam ferramentas e comem carne há mais tempo do que anteriormente se julgava.

 Estes ossos foram descobertos na Etiópia, por investigadores do Instituto Max Planck, na Alemanha, estando inseridos num estrato, cujos sedimentos tinham cerca de 3,2 milhões de ano. Contudo, outras evidências geológicas apontam para que os ossos apresentem uma idade de 3,4 milhões de anos. Ora, como nesse período o Australopithecus afarensis (espécie à qual pertencia a Lucy) era a única espécie de antepassados do ser humano presente naquele local, assume-se agora que A. afarensis já utilizava ferramentas e comia carne.

 Sabia-se já que os indivíduos pertencentes à espécie Homo habilis (que vivera entre há 2,4 e 1,4 milhões de anos atrás) não tinham sido os primeiros a utilizar ferramentas, pois em 1997 foram descobertas, também na Etiópia, artefactos pontiagudos de pedra com cerca de 2,5 milhões de anos. Porém, esta nova descoberta indica que a utilização de ferramentas é cerca de 800 000 anos mais antiga, o que sugere que a espécie Australopithecus afarensis não era tão primitiva quanto se pensava.

Fontes: http://www.newscientist.com/article/dn19302-early-humans-were-butchers-34-million-years-ago.html
           http://www.nature.com/nature/journal/v385/n6614/abs/385333a0.html
           http://www.publico.pt/Ciências/a-australopiteca-lucy-ja-comia-carne-e-usava-faca_1451073 (12/09/2010)

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Genoma das esponjas poderá desvendar segredos ligados ao cancro

 O genoma das esponjas, seres vivos multicelulares (ou seja, que possuem mais do que uma célula) aquáticos extremamente rudimentares, foi sequenciado, o que permitirá compreender quais os genes relacionados com a multicelularidade e até dar resposta a algumas questões sobre o cancro. O facto do genoma da esponja ser "tão especial" prende-se com o facto de as esponjas serem seres vivos pluricelulares muito primitivos. 

 De entre os 20 000 a 30 000 genes presentes no genoma da esponja, cerca de 4670 famílias de genes (conjuntos de vários genes similares, que desempenham funções bioquímicas semelhantes e resultam da duplicação de um gene original) são comuns a todos os animais, sendo que dessas, 1268, ao não estarem presentes nos seres vivos unicelulares evolutivamente mais próximos das esponjas, estarão muito provavelmente relacionados com a multicelularidade. De facto, algumas das funções desempenhadas por estes genes em questão prendem-se com a capacidade das células enviarem sinais químicos a outras, de divisão e crescimento celular coordenado e de diferenciação (especialização) celular, o que é essencial para a coordenação e "divisão de tarefas" entre as células de um indivíduo multicelular.

 Por outro lado, muitos genes presentes nas esponjas estão envolvidos no aparecimento do cancro. Isto é passível de ser explicado pelo facto dos tumores surgirem devido à divisão descontrolada de células, apenas possível  num indivíduo pluricelular. Contudo, as esponjas não apresentam dois genes relacionados com o cancro e que são extremamente importantes no que toca à divisão celular, sendo que ao compreendermos como é que as esponjas "contornam esta situação", poderemos descobrir mais acerca do papel desses dois genes no aparecimento de cancro em seres humanos. 

Fonte: http://www.newscientist.com/article/mg20727724.100-sponge-genome-provides-toolkit-for-multicellular-life.html (05/08/2010)

sábado, 31 de julho de 2010

Identificadas as células que originam o cancro da próstata

 cancro da próstata vitima todos os anos inúmeros indivíduos do sexo masculino, sendo a forma mais comum de cancro, em homens, nos Estados Unidos da América, onde todos os anos cerca de 10 000 indivíduos morrem devido a esta patologia. Contudo, cientistas norte-americanos deram recentemente um importante passo para a compreensão do desenvolvimento desta doença.

 Acontece que, anteriormente, a hipótese mais aceite pela comunidade científica era a de que eram as células luminais da próstata (ou seja, as células próximas da cavidade interior deste órgão) que originavam este tipo de tumores, pois estas assemelhavam-se às células tumorais. Contudo, cientistas norte-americanos demonstraram que são as células basais que existem no tecido da próstata que estão na origem deste tipo de cancro. Estas células, contrariamente às luminais, proliferam muito mais facilmente, assemelhando-se no tecido da próstata, em termos de funções, a células-tronco. Já as células luminais, produzem sobretudo proteínas essenciais para a reprodução.

 A experiência realizada pelos cientistas consistiu na introdução de tecido da próstata humana saudável em ratos, onde foi inibida a actividade do sistema imunitário, de modo a induzir-lhes o aparecimento de cancro nesse órgão, permitindo monitorizar as alterações registadas. De referir que, segundo os investigadores, esta descoberta pode originar métodos de diagnóstico mais eficazes e até novas formas de tratamento contra o cancro da próstata.

Fontes: http://www.physorg.com/news199624374.html (31/07/2010)
           http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1630129&seccao=Sa%FAde (31/07/2010)

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Produção de biodiesel por algas apresenta desvantagens ecológicas

 A produção de biodiesel por parte de algas parece ser uma solução ecológica para a produção de um combustível, visto que para ser produzido biodiesel é necessário que ocorra a absorção de dióxido de carbono por parte destes seres vivos. Contudo, estudos mais recentes indicam que a quantidade de gases de efeito de estufa gerados aquando da produção deste biodiesel é cerca de quatro vezes superior à quantidade de gases libertados aquando da produção de gasóleo.

 Acontece que para as algas produzirem biodiesel, estas necessitam de estar expostas à luz solar e, como estas se encontram dentro de tubos, é necessário fornecer-lhes energia para "movê-las" e assegurar que contactam adequadamente com a luz solar.

 Se produzir biodiesel em biorreactores tubulares parece ser uma má opção, sob o ponto de vista ambiental, a produção deste tipo de combustível, por parte de algas, em lagos abertos (como os da imagem à direita) também não é solução. Apesar de a produção de gases de efeito de estufa ser menor, a água dos lagos tende a evaporar (o que acarreta um maior consumo de água) e a quantidade de biodiesel produzida é menor.

 Dessa forma, dada a necessidade de encontrar um combustível "verde", investigadores estão a desenvolver biorreactores fechados, onde as algas circulam à custa do fornecimento de pouca energia.


Fonte: http://www.newscientist.com/article/mg20727704.700-biodiesel-from-algae-may-not-be-as-green-as-it-seems.html (31/07/2010)

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Peixe ajuda a recuperar ecossistema aquático "morto"

 O ecossistema de Benguela, um ecossistema aquático localizado na costa de Angola e da Namíbia (no sudoeste de África), está infestado por medusas e algas, tornando este ambiente desfavorável para o desenvolvimento de outras espécies. O ecossistema de Benguela fora, outrora, um local de captura de sardinha, tendo sido a pesca excessiva a responsável por esta situação.

 As condições não são, então, favoráveis ao desenvolvimento de uma comunidade biologicamente diversa: As algas presentes no ecossistema consumem uma grande quantidade de oxigénio, levando a que no fundo oceânico os níveis deste gás sejam inferiores a 10% (uma quantidade muito reduzida para a maior parte das criaturas marinhas). Já ao nível da superfície, onde existe maior quantidade de oxigénio, existe uma presença uma concentração elevada de algas e medusas, o que não é propício ao desenvolvimento de outras formas mais diversificadas de vida. Por outro lado, quando as algas morrem, caem e libertam uma grande quantidade de ácido sulfídrico, um gás venenoso. 

 Contudo, um peixe da família Gobiidae, de nome científico Sufflogobius bibarbatus (von Bonde, 1923) não só conseguiu sobreviver nesse ecossistema inóspito, como se estabeleceu nele plenamente. Este peixe alimenta-se de restos de algas mortas, conseguindo sobreviver no fundo durante o dia (o seu baixo metabolismo permite-lhes aguentar níveis reduzidos de oxigénio), emergindo durante a noite para captar oxigénio. O facto deste peixe ter predadores naturais permite a reciclagem de nutrientes neste ecossistema, o que poderá permitir que este recupere a biodiversidade de outrora. 


 O vídeo seguinte (em inglês) mostra as estratégias adoptadas por Sufflogobius bibarbatus para sobreviver neste ambiente:



Fonte: http://www.newscientist.com/article/dn19182-super-goby-helps-salvage-ocean-dead-zone.html (21/07/2010)

domingo, 18 de julho de 2010

Mosquitos geneticamente modificados são a nova esperança no combate à malária

 A malária é uma doença provocada por um parasita, que todos os anos é responsável pela morte de mais de um milhão de indivíduos, sobretudo em África. Acontece que o parasita, um protozoário do género Plasmodium, entra para a corrente sanguínea humana aquando da picada de um mosquito do género Anopheles já infectado por esse protozoário (sendo o mosquito, por isso, o vector de transmissão do parasita).

 Deste modo, como forma de impedir o desenvolvimento do parasita nos mosquitos do género Anopheles (sendo impedida assim a transmissão de malária para os seres humanos), investigadores norte-americanos alteraram o genoma de alguns indivíduos deste género. Seguidamente, os cientistas injectaram o parasita da malária em 90 dos mosquitos, tendo constatado posteriormente que o desenvolvimento do parasita fora completamente bloqueado, ou seja, a alteração genética em causa tinha imunizado os insectos contra o protozoário.

 Esta "imunização" foi conseguida à conta de uma alteração num único gene, estando esse envolvido na produção de insulina. Isto representa uma vantagem relativamente a outras abordagens similares, mas anteriores a esta, que recorriam à modificação de vários genes e não alcançavam uma taxa de sucesso tão grande.

 O próximo passo estará relacionado com a substituição dos mosquitos do género Anopheles "normais" existentes na natureza, por estes, geneticamente modificados e que impedem a 100% o desenvolvimento do parasita da malária no seu interior, o que não será, certamente, uma tarefa fácil.

Fontes: http://articles.latimes.com/2010/jul/17/science/la-sci-malaria-20100717 (18/07/2010)
http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1620269&seccao=Sa%FAde (18/07/2010)          

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Cientistas respondem à velha questão: "Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?"

 Todos nós conhecemos o enigma "Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?", que quando colocado no quotidiano, não leva a conclusão alguma (se respondemos "o ovo" perguntam-nos "quem o pôs" e se respondemos a "galinha" perguntam-nos "de onde ela surgiu").

 Contudo, investigadores britânicos descobriram a resposta científica para esta questão, sendo que quem nasceu primeiro foi então a galinha. Este estudo, que utilizou o supercomputador HECToR, evidenciou que uma proteína essencial para a formação do ovo de galinha (como o conhecemos actualmente, visto que o ovo em si, na generalidade, é um instrumento reprodutivo muito antigo), denominada ovocledidin-17 (OC-17) apenas é produzida nos ovários dos indivíduos desta espécie. A proteína OC-17 é detectada na casca dos ovos, nomeadamente na parte mais dura, porém, até agora desconhecia-se que esta substância desempenhava um papel tão importante, na formação da casca dos ovos, nomeadamente no que toca à formação dos cristais de calcite presentes na casca, a partir de carbonato de cálcio. O supercomputador foi utilizado para mostrar quais os passos que levam à formação do ovo.

 Antes deste estudo ter sido levado a cabo, suspeitava-se que tinha sido o ovo de galinha que tinha surgido primeiro, todavia, os factos científicos apontam no sentido contrário. Por isso lembre-se: Da próxima vez que alguém lhe colocar este famoso enigma, responda que foi a galinha quem surgiu primeiro, pois sem a galinha não teria sido possível a produção de OC-17 e, consequentemente, nunca poderia ter surgido o ovo de galinha, com as características que apresenta na actualidade.

Fontes: http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1618144
http://www.thestar.com/living/article/836216--science-answers-the-question-which-came-first-the-chicken-or-the-egg?bn=1
http://www.nydailynews.com/news/world/2010/07/14/2010-014_which_came_first_the_chicken_or_the_egg_the_chicken_researchers_say.html

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Tibetanos alcançam recorde da mais rápida alteração genética

 Não consta que os desportistas tibetanos tenham alcançado muitas medalhas, contudo o povo tibetano detém já um recorde bem diferente daqueles que normalmente ouvimos falar - trata-se do recorde da mais rápida alteração genética registada.

 Acontece que os tibetanos vivem em regiões de elevada altitude, habitando grande parte em locais situados a mais de 4400 metros acima do nível médio das águas do mar. Ora, a essa altitude os níveis de oxigénio são cerca de 40% menores que ao nível da água da mar, sendo que indivíduos provenientes de baixas altitudes, quando expostos a essas condições, acabam por sofrer de hipóxia, uma condição patológica associada à privação de oxigénio e que se manifesta através de dores de cabeça e fadiga.


  Através da comparação entre o ADN de 50 tibetanos (que não sofrem de hipóxia) e o de 40 chineses da etnia Han que vivem a cerca de 2000 metros de altitude, investigadores norte-americanos encontraram diferenças nos genes relacionados com o transporte de oxigénio no sangue (nomeadamente com a produção de glóbulos vermelhos e de hemoglobina). Visto que as duas populações estudadas divergiram (isto é separaram-se) há cerca de 2750 anos, esta alteração genética verificada nos tibetanos tratou-se da mais rápida alguma vez registada em seres humanos.

Fonte: http://www.newscientist.com/article/dn19117-tibetans-adapted-to-high-life-at-recordbreaking-rate.html (12/07/2010)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Desenvolvimento de uma vacina contra o HIV mais próximo com nova descoberta



 A infecção por parte do vírus HIV (vírus da imunodeficiência humana) provoca uma diminuição do número de leucócitos (glóbulos brancos com função, sobretudo, de defesa do organismo), estando associada à síndrome de imunodeficiência adquirida (SIDA), a maior epidemia dos tempos modernos. O facto deste vírus afectar o sistema imunitário e a não existência de uma vacina contra o HIV, levam a que mais de 30 milhões de indivíduos já tenham morrido, devido à infecção com HIV, num período de somente 29 anos.

 Contudo, investigadores norte-americanos descobriram dois anticorpos (já denominados VRCO1 e VRCO2) que conseguem impedir a infecção de mais de 90% das variedades do vírus HIV, de forma eficaz, o que representa um avanço significativo na tentativa de desenvolvimento de uma vacina contra este vírus. Para além disso, os cientistas conseguiram também já compreender o método de funcionamento destes anticorpos.

 Dessa forma, a equipa de investigadores está já a desenvolver uma potencial vacina, que estimule a produção em "grande escala", por parte das células do nosso organismo, de VRCO1 e VRCO2, sendo a eficácia desta posta à prova na fase de testes.

Fonte: http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1614043&seccao=Sa%FAde (09/07/2010)

terça-feira, 6 de julho de 2010

Células NK responsáveis pelo aparecimento de doença auto-imune

 Alopecia areata é uma doença que se caracteriza pela perda de cabelo (frequentemente na nuca) e que começa com o aparecimento de pequenas regiões onde o cabelo está ausente, evoluindo posteriormente para a perda de todo o cabelo (alopecia totalis), ou mesmo de todo o pêlo corporal (alopecia universalis). Esta é uma patologia comum que afecta cerca de 2% da população mundial.

 Já se sabia que Alopecia areata era uma doença auto-imune, ou seja, uma patologia na qual o sistema imunitário ataca tecidos saudáveis do organismo. Contudo, desconhecia-se qual o mecanismo biológico que ocorria, de facto, para que se desencadeasse Alopecia areata. 

 Todavia, um estudo realizado por investigadores da Columbia University (em Nova Iorque) sugere que é o ataque das células NK (uma classe de glóbulos brancos, mais propriamente de linfócitos, também conhecidas por Natural Killer cells, ou células Exterminadoras Naturais) aos folículos capilares (imagem da esquerda), que provoca esta doença auto-imune. Para explicar este fenómeno, visto que as células NK, normalmente, apenas atacam células tumorais ou infectadas por vírus, os cientistas encontraram 18 genes relacionados com Alopecia areata, de entre os quais um gene chamado ULBP, que codifica uma proteína activadora das células NK.

 Esta descoberta pode então ser determinante para a compreensão e tratamento desta patologia.


Fontes: http://www.newscientist.com/article/mg20727675.400-natural-killer-cells-are-at-root-of-hairloss-disease.html
           http://www.naaf.org/site/PageServer?pagename=about_alopecia_intro
           http://en.wikipedia.org/wiki/Natural_killer_cell (06/07/2010)

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Encontrados fósseis mais antigos de indivíduos pluricelulares

 Os primeiros organismos vivos eram unicelulares, ou seja constituídos por uma única célula. Posteriormente, como uma célula não pode aumentar indefinidamente de volume, agregados de seres vivos unicelulares formaram colónias (tal como acontece com as algas do género Volvox, na imagem da direita), que evoluíram posteriormente para seres pluricelulares (organismos com mais do que uma célula), com todas as vantagens que daí advêm (nomeadamente o aumento de volume e a especialização de grupos de células em diferentes funções).

 Devido à falta de registo fóssil, é praticamente impossível para os investigadores afirmarem com exactidão, quando apareceram os primeiros indivíduos pluricelulares. Os fósseis mais antigos de organismos com mais do que uma célula eram, até agora, os de Grypania (pensa-se que uma alga) encontrados no estado norte-americano do Michigan datados com 1,9 biliões de anos.

 Contudo, novos fósseis encontrados no Gabão (imagem da esquerda), em África, podem "tirar o recorde" aos fósseis de Grypania, visto contarem com 2,1 biliões de anos. É o tamanho dos organismos presentes nestes fósseis recentemente encontrados, cerca de 12 centímetros de comprimento, que leva os cientistas a afirmarem que estes podem ser os primeiros indivíduos pluricelulares encontrados (uma única célula nunca atinge semelhantes dimensões). De referir que estes organismos foram preservados (ao contrário de muitos outros, seus contemporâneos), pois as partes do seu corpo (mole) foram substituídas por minerais de pirite.

Fonte: http://www.newscientist.com/article/mg20727674.100-fossilised-cell-blobs-could-be-oldest-multicellular-life.html (02/07/2010)
 
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