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terça-feira, 12 de outubro de 2010

Tabagismo induz alterações em gene supressor tumoral

 Já se conheciam inúmeros efeitos adversos para a saúde, relacionados com o tabagismo. Todavia, investigadores da universidade britânica de Birmingham provaram pela primeira vez que o tabagismo está directamente relacionado com a supressão da acção de genes que ajudam a combater os tumores.

 Para levar a cabo este estudo foram analisadas células do cancro do colo do útero, visto que as mulheres com cancro do colo do útero têm um maior número de mutações epigenéticas, ou seja, alterações do DNA, por ligação de um grupo metilo, no gene p16, que tem como função a supressão de tumores. 

 Essa análise permitiu concluir que a percentagem de células com o gene alterado era muito superior nas mulheres fumadoras (cerca de 37%) que nas não-fumadoras (cerca de 9,3%). Isto comprova, mais uma vez, que os indivíduos fumadores têm mais tendência a desenvolver cancro que os não-fumadores.

 Contudo, nesta investigação foram também estudadas mulheres que tinham deixado de fumar. Verificou-se que nessas mulheres a percentagem de células com o gene p16 modificado era igualmente baixa, o que sugere que estas alterações genéticas induzidas pelo tabagismo são revertíveis.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Óxido nítrico pode ser fundamental na reparação de lesões cerebrais

 Um estudo realizado por investigadores da Universidade de Coimbra (em Portugal) em colaboração com cientistas da Universidade de Lund, na Suécia, debruçou-se sobre o papel do óxido nítrico, aquando de lesões cerebrais. 


 O óxido nítrico é uma molécula constituída por um átomo de oxigénio e um átomo de azoto (daí a sua fórmula química ser NO). O óxido nítrico encontra-se naturalmente sob a forma de um gás, com importantes funções biológicas, actuando como uma molécula envolvida na transmissão de informação entre células. Para além disso, esta molécula é produzida no cérebro, aquando de uma inflamação. 


 Pensava-se, por isso, que impedisse a proliferação de células-tronco neuronais, essenciais à recuperação das zonas lesionadas. Contudo, o estudo mostrou que, aquando de uma concentração reduzida de óxido nítrico, a proliferação deste tipo de células foi estimulada. Estas conclusões podem se vir a revelar particularmente importantes para futuros tratamentos de lesões cerebrais, como o Alzheimer 

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Doação de órgãos - Um acto de solidariedade

 A doação de órgãos, quer em vivo, quer após a morte, é um acto de solidariedade que pode ajudar a salvar várias vidas, dado os órgãos doados serem utilizados em transplantes. 

 Os indivíduos que pretendem doar órgãos, enquanto estão vivos, podem fazê-lo, desde que apresentem as condições de saúde necessárias. Em Portugal existem unidades de transplantação de rim, fígado, coração, córnea, pâncreas, pulmão e medula óssea, localizando-se todas as unidades em hospitais públicos. Já no Brasil, é possível a doação de rim, fígado, coração, córnea, pâncreas, pulmão, medula óssea, pele e válvulas cardíacas. 

 Já os indivíduos que pretendam doar órgãos após a sua morte desconhecem muitas vezes quais os passos que devem dar. Dessa forma, e dado que tornar-se um doador pós-morte é extremamente simples, mas também importante, passo a explicar qual a lei vigente em Portugal e, a pedido do Ministério da Saúde Brasileiro, no Brasil.

Em Portugal:

 Em Portugal, qualquer indivíduo (que tenha a cidadania portuguesa, ou que seja estrangeiro residente em Portugal) é considerado doador à nascença. Isto, porque a lei vigente em Portugal assume que todos os indivíduos se dispõem a doar órgãos, após a sua morte. Sendo assim, ao contrário do que se passa noutros países, não é necessário realizar qualquer pedido, formal ou informal, informando do desejo de doação dos órgãos pós-morte. Contudo, os indivíduos que não concordem com esta lei podem, no Centro de Saúde, entregar um impresso, no qual exprimem o desejo de que não lhes sejam retirados órgãos após a morte. A lei aplicada em Portugal, no que concerne a este tema, é similar à vigente na Espanha, Áustria, Eslováquia, Hungria, Luxemburgo, Polónia e República Checa.

No Brasil:

 No Brasil, a lei não assume que ninguém seja doador à nascença. Dessa forma, qualquer indivíduo que esteja interessado em doar órgãos deve dizê-lo aos seus familiares, expressando claramente o seu desejo. Não é necessário o indivíduo deixar nada por escrito, mas deve-se assegurar que os familiares se comprometem a autorizar, por escrito, a doação de órgãos pós-morte.  

 Lembre-se: São vidas humanas que estão em jogo e tudo depende de uma simples conversa com os seus familiares.

Para mais informações consulte: 


 Brasil: Portal do Ministério da Saúde - Transplantes
             Contacte: comunicacao@saude.gov.br

domingo, 22 de agosto de 2010

Células NK podem facilitar transplante de fígado

 As células NK (Natural Killer cells), também denominadas células assassinas, são um tipo de leucócitos (glóbulos brancos), mais propriamente de linfócitos T, que desempenham uma importante função em termos de destruição de células cancerígenas ou infectadas por vírus. Contudo, um tipo especial de células NK, denominadas células NKTreg, podem no futuro vir a desempenhar um importante papel, no que toca à aceitação de órgãos transplantados.

 A rejeição de órgãos transplantados está relacionada com a actividade do sistema imunitário, nomeadamente de outro tipo de linfócitos T. Porém, investigadores portugueses da Universidade de Lisboa, através de estudos  envolvendo fígados de ratos, descobriram que as células NKTreg possuem um gene que controlava os linfócitos T reguladores,  o que permitiu suprimir a actividade imunitária que ocorria nos fígados dos ratos.

 Como as células NKTreg apenas suprimiram a acção imunitária no fígado (e não no organismo inteiro) e dado estas células também existirem nos seres humanos, há possibilidade de que, no futuro, este tipo de linfócitos possa ser utilizado para evitar rejeições de transplante de fígado.

Fontes: http://www.newscientist.com/article/mg20727744.100-killer-tcells-the-fix-for-organ-rejection.html
           http://www.publico.pt/Ciências/descobertas-celulas-amigas-do-transplante-de-figado_1450886 (22/08/2010)

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Identificado gene relacionado com as enxaquecas


 É sabido que factores ambientais, como o stress, a alimentação e as alterações do número de horas de sono, contribuem fortemente para o aparecimento de enxaquecas. Contudo, investigadores do ICBAS (Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, localizado no Porto, em Portugal) descobriram que existe um gene associado a esta doença.

 O gene em questão denomina-se STX1A e é responsável pela produção de sintaxina 1A, uma proteína (cuja estrutura está representada na imagem da direita) que por sua vez tem como função a regulação da libertação de neurotransmissores (substâncias químicas que transmitem um sinal nervoso de um neurónio para outro ou para uma célula-alvo, durante uma sinapse) no Sistema Nervoso Central. 

 A amostra analisada pelos investigadores do ICBAS era composta por 188 indivíduos que padeciam de enxaquecas e 287 que não sofriam desse problema (grupo de controlo). No grupo dos indivíduos doentes foram detectadas duas variações do gene STX1A, o que sugere que estas estão directamente relacionadas com uma maior susceptibilidade do indivíduo ao desenvolvimento desta patologia.

Fonte: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=44604&op=all#cont (19/08/2010 - 18h40)

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Desvendado o segredo da alergia ao níquel

 O níquel é um metal com o qual "contactamos" frequentemente, dado ser muito utilizado em joalharia, estar presente, na maioria das ligas metálicas de que são feitas as moedas (as moedas de 1 e 2 euros, por exemplo, apresentam níquel na sua constituição), poder ser um elemento presente no aço inoxidável e até próteses médicas. Este elemento (de símbolo químico Ni) é o 28º da tabela periódica, sendo um "metal de transição" e podendo formar diversos iões. A sua descoberta remonta a 1751 e deveu-se ao mineralogista sueco Axel Fredrik Cronstedt. 

 Contudo, a alergia ao níquel é a hipersensibilidade de contacto mais comum nos países ocidentais, tendo uma equipa de investigadores alemães descoberto a causa para esse facto. Acontece que, este metal actua de modo similar ao das bactérias - O contacto com o níquel desencadeia, nos indivíduos alérgicos a este metal, uma reacção inflamatória, através da activação de um receptor celular, denominado TLR4. Ora, este é o mesmo receptor que é activado, aquando do contacto com bactérias, levando à ocorrência de uma resposta do sistema imunitário. A activação do receptor TLR4, por parte do níquel, leva então a uma resposta imunitária exagerada, que se manifesta sob a forma da alergia a este metal.

 Como o níquel e as bactérias se ligam a diferentes regiões do receptor, o bloqueio da local onde se liga o níquel poderá prevenir a alergia ao metal, sem impedir que o receptor origine uma resposta imunitária, aquando do contacto com bactérias.

Fontes: http://www.newscientist.com/article/dn19318-mystery-of-most-common-contact-allergy-solved.html
           http://www.nature.com/ni/journal/vaop/ncurrent/full/ni.1919.html
           http://en.wikipedia.org/wiki/Nickel (16/08/2010)

sábado, 31 de julho de 2010

Identificadas as células que originam o cancro da próstata

 cancro da próstata vitima todos os anos inúmeros indivíduos do sexo masculino, sendo a forma mais comum de cancro, em homens, nos Estados Unidos da América, onde todos os anos cerca de 10 000 indivíduos morrem devido a esta patologia. Contudo, cientistas norte-americanos deram recentemente um importante passo para a compreensão do desenvolvimento desta doença.

 Acontece que, anteriormente, a hipótese mais aceite pela comunidade científica era a de que eram as células luminais da próstata (ou seja, as células próximas da cavidade interior deste órgão) que originavam este tipo de tumores, pois estas assemelhavam-se às células tumorais. Contudo, cientistas norte-americanos demonstraram que são as células basais que existem no tecido da próstata que estão na origem deste tipo de cancro. Estas células, contrariamente às luminais, proliferam muito mais facilmente, assemelhando-se no tecido da próstata, em termos de funções, a células-tronco. Já as células luminais, produzem sobretudo proteínas essenciais para a reprodução.

 A experiência realizada pelos cientistas consistiu na introdução de tecido da próstata humana saudável em ratos, onde foi inibida a actividade do sistema imunitário, de modo a induzir-lhes o aparecimento de cancro nesse órgão, permitindo monitorizar as alterações registadas. De referir que, segundo os investigadores, esta descoberta pode originar métodos de diagnóstico mais eficazes e até novas formas de tratamento contra o cancro da próstata.

Fontes: http://www.physorg.com/news199624374.html (31/07/2010)
           http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1630129&seccao=Sa%FAde (31/07/2010)

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Desenvolvimento de uma vacina contra o HIV mais próximo com nova descoberta



 A infecção por parte do vírus HIV (vírus da imunodeficiência humana) provoca uma diminuição do número de leucócitos (glóbulos brancos com função, sobretudo, de defesa do organismo), estando associada à síndrome de imunodeficiência adquirida (SIDA), a maior epidemia dos tempos modernos. O facto deste vírus afectar o sistema imunitário e a não existência de uma vacina contra o HIV, levam a que mais de 30 milhões de indivíduos já tenham morrido, devido à infecção com HIV, num período de somente 29 anos.

 Contudo, investigadores norte-americanos descobriram dois anticorpos (já denominados VRCO1 e VRCO2) que conseguem impedir a infecção de mais de 90% das variedades do vírus HIV, de forma eficaz, o que representa um avanço significativo na tentativa de desenvolvimento de uma vacina contra este vírus. Para além disso, os cientistas conseguiram também já compreender o método de funcionamento destes anticorpos.

 Dessa forma, a equipa de investigadores está já a desenvolver uma potencial vacina, que estimule a produção em "grande escala", por parte das células do nosso organismo, de VRCO1 e VRCO2, sendo a eficácia desta posta à prova na fase de testes.

Fonte: http://dn.sapo.pt/inicio/ciencia/interior.aspx?content_id=1614043&seccao=Sa%FAde (09/07/2010)

terça-feira, 6 de julho de 2010

Células NK responsáveis pelo aparecimento de doença auto-imune

 Alopecia areata é uma doença que se caracteriza pela perda de cabelo (frequentemente na nuca) e que começa com o aparecimento de pequenas regiões onde o cabelo está ausente, evoluindo posteriormente para a perda de todo o cabelo (alopecia totalis), ou mesmo de todo o pêlo corporal (alopecia universalis). Esta é uma patologia comum que afecta cerca de 2% da população mundial.

 Já se sabia que Alopecia areata era uma doença auto-imune, ou seja, uma patologia na qual o sistema imunitário ataca tecidos saudáveis do organismo. Contudo, desconhecia-se qual o mecanismo biológico que ocorria, de facto, para que se desencadeasse Alopecia areata. 

 Todavia, um estudo realizado por investigadores da Columbia University (em Nova Iorque) sugere que é o ataque das células NK (uma classe de glóbulos brancos, mais propriamente de linfócitos, também conhecidas por Natural Killer cells, ou células Exterminadoras Naturais) aos folículos capilares (imagem da esquerda), que provoca esta doença auto-imune. Para explicar este fenómeno, visto que as células NK, normalmente, apenas atacam células tumorais ou infectadas por vírus, os cientistas encontraram 18 genes relacionados com Alopecia areata, de entre os quais um gene chamado ULBP, que codifica uma proteína activadora das células NK.

 Esta descoberta pode então ser determinante para a compreensão e tratamento desta patologia.


Fontes: http://www.newscientist.com/article/mg20727675.400-natural-killer-cells-are-at-root-of-hairloss-disease.html
           http://www.naaf.org/site/PageServer?pagename=about_alopecia_intro
           http://en.wikipedia.org/wiki/Natural_killer_cell (06/07/2010)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Encontrada nova esperança na luta contra o Ébola

 O vírus do ébola (imagem da direita) é um género de vírus que provoca uma febre hemorrágica viral, sendo o "Ébola Zaire" a espécie mais letal deste tipo de vírus (estima-se que 90% dos infectados com o vírus "Ébola Zaire" acabem por morrer). Os surtos de ébola ocorrem sobretudo em África, tendo já ocorridos surtos de Ébola Zaire na República Democrática do Congo, onde foi inicialmente detectado e onde ocorreu o último (em 2008), no Congo e no Gabão. 

 Para além disso, não existia cura, tratamento ou vacina para doentes infectados com o ébola, apenas vacinas experimentais que funcionassem como prevenção contra este vírus. Porém, cientistas norte-americanos criaram um medicamento eficaz na luta contra o Ébola Zaire. Este medicamento tem por base uma molécula de siRNA (também designado por "RNA silenciador", tem como função interferir na expressão de genes), que "silencia" três dos genes vitais do vírus Ébola Zaire.

 Para testar a eficácia deste medicamento, este foi administrado durante uma semana a quatro macacos Rhesus infectados com o vírus, tendo-se constatado que todos sobreviveram. Segundo os investigadores são agora necessários mais testes para comprovar por quanto tempo após a infecção será este medicamento eficaz.

Fontes: http://www.newscientist.com/article/dn18974-drug-defeats-deadly-ebola-virus-infection.html
           http://en.wikipedia.org/wiki/Ebola (10/06/2010 - 19h)

terça-feira, 25 de maio de 2010

Proteína pode retirar a máscara utilizada pelo HIV

 Foi dado um importante passo na luta contra o HIV, que poderá ajudar na destruição de células infectadas com o vírus. Na verdade, este vírus utiliza uma proteína, CD59, para "disfarçar" as células que infecta, como células normais e saudáveis. Dessa forma, o sistema imunitário do organismo não destrói essas células, o que permite a proliferação do vírus.

 Dessa forma, cientistas norte-americanos quiseram saber como seria possível remover aquele "disfarce". Dessa forma, criaram uma proteína (a partir de uma toxina bacteriana), rILYd4, cujo alvo é a proteína CD59 (a "máscara" das células infectadas).

 Quando a proteína rILYd4 foi colocada no sangue de indivíduos infectados com  HIV, registou-se uma destruição de partículas virais e, provavelmente (segundo os primeiros resultados sugerem), de células infectadas.



 Actualmente, a equipa que levou a cabo esta experiência, está a estudar de que forma podem ser minimizados os riscos da proteína CD59 ficar inactiva em células saudáveis. Esta experiência representa, certamente uma esperança para todos os que diariamente se vêem a braços na luta contra o HIV.


Fonte: http://www.newscientist.com/article/mg20627614.600-remove-hivs-invisibility-cloak-to-defeat-it.html

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Células diferenciadas são transformadas em células-tronco semelhantes às embrionárias

  A utilização de células-tronco embrionárias, apesar da sua importância na área medicina levantam muitas questões de ética, contudo, avanços científicos podem resolver esse dilema.

 Em Novembro do ano de 2007, na Universidade de Quioto, uma equipa de investigadores conseguiu transformar as células da pele humana em algo muito semelhante a células tronco embrionárias. Como é obvio, esta descoberta é muito importante porque, deste modo, deixa de ser necessário recorrer a células dos embriões (que é uma questão muito polémica no campo da ética) que são células mais dificeis de conseguir comparando com células da pele. As células-tronco são consideradas uma esperança para a cura de doenças  mortais uma vez que estas se diferenciam em mais de 220 tipos de células diferentes substituindo células danificadas e regenerando tecidos e até mesmo órgãos. Os transplantes poderão, portanto, ser feitos usando tecidos da própria pessoa, diminuindo o risco de rejeição. Disse Robert Lanza, diretor da empresa de biotecnologia Advanced Cell Technology, que esta descoberta "representa um avanço científico extraordinário que é um pouco como aprender a converter o chumbo em ouro". 

Fonte:http://ultimosegundo.ig.com.br/ciencia_saude/2007/12/27/quando_as_celulas_tronco_foram_obtidas_a_partir_de_celulas_da_pele_humana_1132558.html (20/05/2010)

Para saber mais sobre células-tronco: http://staminalli.blogspot.com/

domingo, 16 de maio de 2010

Estudo realizado no Porto pode levar a um maior controlo de leucemias

 Um estudo realizado no Instituto de Biologia Molecular e Celular do Porto  (IBMC), relativo ao papel dos glóbulos vermelhos no sistema imunitário, pode contribuir para um maior controlo de leucemias.

 Na verdade, apesar das principais funções das hemácias (glóbulos vermelhos) relacionarem-se com o transporte de gases (nomeadamente oxigénio e dióxido de carbono), sabe-se actualmente que as hemácias desempenham outros papéis, tais como regular a contracção vascular e a proliferação de glóbulos brancos. O estudo em questão, publicado na revista "Immunology and Cell Biology", debruçou-se precisamente sobre a importância dos glóbulos vermelhos para a regulação do ciclo celular e para a sobrevivência dos leucócitos (glóbulos brancos), nomeadamente os linfócitos T (glóbulos brancos que actuam na imunidade específica mediada por células).

 O estudo conclui que existem substâncias de natureza proteica libertadas pelos glóbulos vermelhos que têm um "papel activo na homeostasia (regulação biológica) dos linfócitos T, potenciando a sobrevivência e o crescimento destes". Isto abre caminho para um maior controlo de leucemias, doenças caracterizadas, normalmente, por uma proliferação de glóbulos brancos.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Teremos descoberto um segredo das células cancerosas?


 As células cancerosas obtêm energia de forma diferente das restantes células do nosso organismo. Enquanto, as nossas células não-tumorais obtêm energia por respiração aeróbia, um processo ocorre na presença de oxigénio, em organelos chamados mitocôndrias, as células cancerosas obtêm energia por glicólise, um processo que não necessita da presença de oxigénio e que não é realizado em mitocôndrias (imagem da direita). Até há pouco tempo, pensava-se que isso constituía uma desvantagem para as células cancerosas, visto que se consegue menos energia realizando glicólise, do que realizando respiração aeróbia. Contudo, recentemente, começou-se a pensar de maneira oposta.

 Os cientistas justificam que, apesar do baixo rendimento energético, a glicólise, contrariamente à respiração aeróbia, disponibiliza os "blocos químicos essenciais à construção de novas células", o que permite uma mais rápida divisão celular. 

 Dessa forma, de modo a travar a progressão de células tumorais, os cientistas decidiram activar as mitocôndrias de cinco indivíduos com uma forma agressiva de cancro do cérebro, através de um medicamento. Apenas um desses cinco indivíduos morreu de cancro, tendo os tumores deixado de crescer nos restantes quatro indivíduos (tendo num deles desaparecido completamente), que acabaram por viver mais tempo. Esta é por isso uma notícia encorajadora em termos da luta contra o cancro.

Fonte: http://www.newscientist.com/article/mg20627603.500-cancers-sweet-tooth-becomes-a-target.html?full=true (13/05/2010 - 21h18)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Nicotina pode contribuir para o desenvolvimento de Alzheimer

 O consumo de tabaco pode estar associado a um maior risco de desenvolvimento de Alzheimer (uma doença degenerativa e incurável), ao contrário do que se pensava anteriormente. 

 Uma experiência levada a cabo por cientistas chineses provou que ratos com placas senis (depósitos proteicos que se acumulam no cérebro e estão associados ao aparecimento da doença de Alzheimer) que recebiam a dose diária de nicotina de um fumador, obtinham um pior desempenho em tarefas, como atravessar um labirinto, comparativamente aos ratos com placas senis que não recebiam essa dose. Isto sugere que grandes doses de nicotina, substância presente no tabaco, contribuem para o desenvolvimento da doença de Alzheimer. Curiosamente, pensa-se que pequenas quantidades desta substância possam contribuir para a redução do número de placas senis no cérebro, mas pouco é conhecido acerca desse facto.

Fonte: http://www.newscientist.com/article/dn18773-nicotine-tied-to-alzheimers-risk.html (23/04/2010 - 19h)

sexta-feira, 19 de março de 2010

Terapia para jovens viciados em tecnologia

 O hospital britânico Capio Nightingale, no centro de Londres, lançou um tratamento de reabilitação para adolescentes viciados em videogjogos, computadores e telemóveis. O Hospital afirmou ter tomado essa decisão, devido aos apelos de vários pais, preocupados com o tempo que os seus filhos passam em contacto com as novas tecnologias.
 O psiquiatra que lidera o serviço, Richard Graham, afirma que "os serviços de saúde mental precisam de se adaptar rapidamente às mudanças no mundo em que os jovens vivem, e entender como as suas vidas podem ser seriamente prejudicadas por causa da falta de controlo do tempo que eles passam ligados à Internet, em frente à televisão ou agarrados a jogos de computador".
 Na verdade, a saúde da criança é comprometida, quando esta dedica muito tempo utilizando novas tecnologias, isto em termos de autoconfiança  e  físicos, pois acresce a este facto, uma alimentação pobre e a falta de exercício físico.
 Para contrariar este problema, a reabilitação, que vai atender pessoas a partir dos 12 anos, incluirá actividades individuais e terapias de grupo, cujo objectivo é levar os pacientes a aumentarem o número de actividades sociais e lazer, levadas a cabo no mundo real, mantendo-se mais tempo distantes dos computadores.

Fontes: http://diario.iol.pt/tecnologia/tvi24-tecnologias-reabilitacao-viciados-jovens-hospital/1148699-4069.html

terça-feira, 16 de março de 2010

Papaia tem propriedades anti-cancerígenas

 Uma pesquisa recente da Universidade da Flórida (EUA), publicada no Journal of Ethnopharmacology demonstrou que o chá feito a partir de folhas da papaia tem uma influência positiva no combate contra uma ampla gama de cancro, entre os quais o do colo do útero, mama, fígado, pulmão e pâncreas.

 Os cientistas utilizaram um extracto feito a partir de folhas deste fruto, tendo observado que os efeitos anti-cancerígenas foram mais fortes quando as células receberam doses maiores desse chá. Os investigadores expuseram 10 tipos diferentes de culturas de células cancerígenas ao extrato de folha de papaia e mediram o efeito após 24 horas, tendo este chá retardado o crescimento dos tumores em todos os testes. Para além disto, esta substância não apresenta qualquer efeito prejudicial para as células normais nem efeitos secundários após ser tomado. A equipa de cientistas também analisou o efeito do extracto de papaia sobre a produção de citocinas (uma gama de moléculas associadas ao sistema imunitário, que neste caso se relaciona com o combate de tumores). Este fruto mostrou-se responsável pela produção de citocinas Th1, importantes na regulação do sistema imunitário. 

 Por estes motivos, os resultados do estudo levantam a possibilidade do uso futuro da papaia para extrair componentes maléficos do sistema imunitário em condições semelhantes, tais como inflamações e doença auto-imunes.

 O progresso da ciência traz nos novas esperanças para um futuro melhor e este tipo de tratamentos, muito práticos, contra eventos nefastos, como tumores deve ser conhecido, pelo que é muito importante o acompanhamento do avanço da ciência.

Fontes: http://www.douradosagora.com.br/not-view.php?not_id=277271 (16/03/2010)

terça-feira, 9 de março de 2010

O que seria da ciência sem as mulheres?

De um modo geral, a mulher apresenta várias qualidades fundamentais para o desenvolvimento de uma carreira científica bem sucedida. Entre estas destacam-se a imaginação, o espírito criativo, a perseverança, o empenho e o entusiasmo. Estas qualidades tornam a mulher um importante impulsionador da ciência.

Neste dia internacional da mulher, é importante realçar a garra que as caracteriza e que tanto as fez envolver no mundo científico e nas maravilhosas descobertas ao longo dos séculos.

Assim sendo, podemos afirmar que a contribuição da mulher em áreas da ciência como a matemática, a astronomia, a química, a medicina, a agricultura ou a biologia, é já de longa data:

-Há quatro mil anos uma sacerdotisa na Babilónia dedicou-se ao estudo das estrelas, constituindo uma referência importante para os astrónomos e matemáticos que a sucederam.
-O conhecido “banho-Maria” que todos nós usamos diariamente no laboratório, e que contribuiu para o desenvolvimento de muitas áreas da ciência e da indústria, é atribuído a uma química, Maria la Hebrea, que viveu no século I em Alexandria.

Ao longo dos anos foram surgindo também outras referências importantíssimas que tornaram o papel das mulheres na ciência cada vez mais conhecido:

      - Marie Curie (imagem da direita) é sem dúvida o caso mais marcante que culminou com a atribuição de dois prémios Nobel (da física em 1903 juntamente com o seu marido, e da química em 1911, pela descoberta de dois elementos químicos).


- Elizabeth Blackwell foi a primeira mulher 
no mundo a licenciar-se em medicina e, a partir de então, dedicou-se à educação feminina na área da medicina.

- Florence Nightingale: quase se pode dizer que esta senhora inventou a profissão de enfermeira, tendo sempre trabalhado no sentido de estabelecer condições de higiene e segurança nos hospitais militares, numa altura em que era mais frequente os soldados morrerem de infecções do que das próprias lesões de combate.

- Margaret Sangre (imagem à esquerda): depois de verificar, de perto e ao vivo, o sofrimento das mulheres que se viam confrontadas com gravidezes não planeadas e indesejadas, dedicou a sua vida à enfermagem e a ajudar a população feminina a obter informação sobre e medicamentos contraceptivos.


- Rachel Carson: pioneira do movimento ambientalista, esta escritora, cientista, biólogo marinha, ecologista e ambientalista não descansou enquanto não sensibilizou os americanos e o mundo para as questões ambientais. Felizmente, conseguiu.

      - Sally Ride (imagem da direita): foi uma tenista de renome que trocou o desporto pela física, acabando por ser a primeira mulher astronauta americana a viajar para o espaço. Continuou a sua carreira na NASA e como professora de ciência.


Depois de todas estas informações, penso que podemos abandonar o esteriótipo do cientista de bata branca e cabelo despenteado e começar a pensar numa versão mais femina do mesmo, até porque as mulheres têm tantas ou mais potencialidades que os homens para marcarem o seu lugar e impôr os seus ideais e objectivos, quer a nível científico ou qualquer outro.

Bibliografia: http://entremulheres.com

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Palestra com o Professor Dr. Daniel Serrão

Fotografia onde se encontram os elementos do nosso grupo juntamente com a professora responsável pela disciplina, Fátima Vara, o Senhor Professor Dr. Daniel Serrão, seguido do Senhor Director da nossa escola, Álvaro Santos e o Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Valadares, Artur Gandra

No âmbito do nosso tema e, como forma de envolver uma parte significativa da comunidade escolar e também da freguesia de Valadares (na qual se insere a escola que frequentamos), convidámos o Senhor Professor Dr. Daniel Serrão a realizar uma palestra na qual desejávamos abordar o seguinte tema: Bioética. Assim sendo, após uma confirmação positiva do nosso ilustre orador, realizámos, no passado dia 25 de Fevereiro, pelas 14h30, no Cine-Teatro Eduardo Brazão, em Valadares, a respectiva actividade.
Dada a grande varriedade de público-alvo (entre o 9.º e 12.º ano de escolaridade e professores de diversas áreas) o Senhor Professor optou pelo seguinte alinhamento na conferência:

  • Conceito de Bioética
  • Algumas questões mais problemáticas e actuais (eutanásia e métodos de fecundação in vitro e embriões excedentários)
  • Questões futuras relacionadas com a temática abordada
Assim sendo, de forma extremamente apelativa, ilucidativa e dinâmica, estivemos cerca de 1h30m em presença de um orador maravilhoso que nos cativou cada segundo e nos transmitiu de forma exímia os mais diversos conhecimentos relativos aos tópicos anteriormente mencionados, abordando factos científicos, históricos, actuais e a sua própria experiência de vida e opinião pessoal. Contámos também com a presença do Senhor Presidente da Junta de Freguesia de Valadares, Artur Gandra, do Senhor Director da nossa Escola, Álvaro Santos, e com a cobertura da palestra pelo Senhor Armindo do Jornal Valadares & a cidade em foco.

De forma a conhecer um pouco melhor o Senhor Professor Daniel Serrão, seguem-se alguns dados biográficos acompanhados de algumas imagens e de referências bibliográficas mais actuais:

Dados biográficos

Nascido na cidade de Vila Real a 1 de Março de 1928, termina o Curso Geral dos Liceus, em Aveiro no ano de 1944. No ano seguinte, conclui o Curso Complementar de Ciências e, em 1951, completa o Curso de Medicina, destacando-se sempre pelo brilhante desempenho académico. Cumpre também, durante dois anos, serviço militar prestando serviço no Hospital Regional n.º1 do Porto. Concluiu, com a brilhante classificação de 19 valores, o seu doutoramento e, entre as mais prestigiadas actividades, é de mencionar a sua carreira como professor, a sua especialidade hospitalar na área de anatomia patológica e o facto de ter montado e dirigido, entre 1975 e 2002, um conceituado Laboratório privado de Anatomia Patológica. Devido ao seu grande mérito, foi jubilado a 1 de Março de 1998.

Bibliografia

Dada a enormíssima importância e influência cultural, o Senhor Professor Doutor Daniel Serrão, apresenta uma vastíssima bibliografia, motivo pelo qual só iremos referir algumas das publicações mais recentes (relativas ao ano 2008):

- «Utopie et Bioéthique». In: Histoire transnationale de l’utopie littéraire et de l’utopisme.
- «A vida crio-preservada». In: Bioética e Vulnerabilidade.
- «Investigação Biomédica – Documentos internacionais pertinentes». In: Investigação Biomédica.
- «Aborto: Médico renomado fala de suas experiências». In: Catolicismo
- «Evolução da Ética Médica». In: Semana Médica.

 




sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Pela primeira vez uma vacina contra a SIDA conseguiu evitar a infecção pelo vírus HIV

 Uma vacina não é bem uma verdadeira invenção. Mas uma contra a sida é de certeza. 20 anos depois de ser identificado o vírus, os investigadores atingiram a primeira imunização contra a doença. Neste momento, ainda estão a tentar perceber como é que essa substância é capaz de travar a infecção.

 Um grupo de investigadores americanos, franceses e tailandeses anunciou o desenvolvimento da RV 144, a primeira vacina capaz de reduzir significativamente o risco de infecção pelo HIV. No maior estudo já realizado sobre a imunização contra a doença, a taxa de protecção proporcionada pela RV 144 foi de 31%. O seu grau de eficácia ainda não permite que ela seja usada comercialmente. Em geral, uma vacina só é aprovada se apresentar, no mínimo, 70% de sucesso. Tratando-se do vírus HIV, no entanto, o resultado obtido pela RV 144 já é considerado histórico.

 Nenhum vírus é tão resistente à imunização quanto o HIV. Ao infectar um organismo, o seu primeiro alvo são os linfócitos CD4, as principais células de defesa. Além disso, ao contrário do que acontece com a maioria dos vírus e bactérias, o vírus da imunodefeciência humana nem chega a reagir ao ataque de anticorpos produzidos pelo sistema imunitário. Ele multiplica-se tão rapidamente e entra nos linfócitos CD4 de uma forma tão veloz que o corpo não consegue produzir anticorpos eficientes.

 
Desenvolvimento do HIV numa célula imune humana infectada.

Fontes: http://revistaveja.wordpress.com/2009/09/26/31-de-esperanca-pela-primeira-vez-uma-vacina-contra-a-aids-conseguiu-evitar-a-infeccao-pelo-virus-hiv/
 
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